2 de Julho, 2026

A Busca Obstinada Pela Eliminação Dos Crentes

A Busca Obstinada Pela Eliminação Dos Crentes

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

Dia e noite guardavam também os portões da cidade para o matar. Mas os discípulos de Saulo o tomaram de noite e, colocando-o num cesto, desceram-no pela muralha”  Atos 9.24,25

Enquanto escrevo esta reflexão, somos inundados por notícias na internet de cristãos sendo presos e mortos em diversos países da África, na Índia e no Irã. À medida que o fim dos tempos se aproxima, o desejo de extinguir tudo o que se refere a Cristo tem se tornado cada vez mais intenso. No Brasil, quando produzem uma obra de ficção, seja uma novela ou um filme, via de regra atribuem um caráter desequilibrado ou cruel a algum personagem que represente um evangélico. Ao mesmo tempo, a grande mídia pouco divulga o genocídio de cristãos que ocorre em diversas partes do mundo. Essa indiferença faz parte da rejeição a Deus demonstrada por muitos dos que controlam esses meios de comunicação e do desejo de verem desprezado tudo o que está relacionado a Ele.

Entretanto, esse não é um movimento moderno. Desde o seu início, o cristianismo sofreu dez grandes perseguições. Posteriormente, dentro do próprio cristianismo, passou a haver uma repressão violenta contra aqueles que decidiram obedecer aos preceitos do Senhor acima das vontades e prescrições das autoridades religiosas da época. Talvez essa tenha sido a evidência mais contundente do que o mundanismo pode causar quando é admitido na igreja. A destruição provocada torna-se imensa.

Desde cedo, Paulo foi alvo de forte oposição. No episódio relatado nos versículos acima, os judeus sentiam-se ameaçados porque um dos maiores expoentes do judaísmo daquele tempo havia se convertido ao cristianismo, passando de perseguidor dos cristãos a defensor da fé em Cristo. Isso fica evidente em Atos 9.22: "Saulo, porém, mais e mais se fortalecia e confundia os judeus que moravam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo". De alguma forma, isso precisava ser interrompido. Logo arquitetaram um plano para que Paulo fosse morto. O texto afirma que "dia e noite guardavam os portões da cidade", revelando a profunda obstinação que havia tomado conta de seus corações.

Naquela época, por razões de defesa, as cidades possuíam grandes portões, que constituíam a principal via de acesso. Constantemente, as pessoas entravam e saíam por eles. Não é difícil imaginar que os perseguidores tenham organizado escalas de vigilância, revezando-se para que, em nenhum momento, os portões ficassem sem guarda. Sabendo disso, aqueles que haviam se convertido por meio da pregação de Paulo e se tornado seus discípulos elaboraram um plano para retirá-lo da cidade. Colocaram-no dentro de um cesto e, por meio de cordas, o desceram pela muralha. A frustração dos judeus deve ter sido enorme quando perceberam que Paulo havia escapado.

Vivemos em um país onde esse nível de perseguição ainda não se manifesta de forma tão intensa. Vez ou outra ouvimos relatos de pregadores sendo atacados por grupos contrários à fé cristã evangélica e até de igrejas sendo vandalizadas. Embora desfrutemos, em geral, de uma aparente paz, não são poucas as ocasiões em que pessoas se levantam com hostilidade contra os valores cristãos e tudo aquilo que eles representam. Se Deus não tiver misericórdia de seus filhos no Brasil, esses levantes poderão tornar-se cada vez mais violentos e cada vez mais aceitos por uma sociedade paganizada e afastada de Deus.

Que nos voltemos em oração ao Soberano sobre todas as coisas, para que Ele impeça o avanço da cristofobia que tem dominado várias partes do mundo e que, aos poucos, também tem chegado até nós.

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, fez Mestrado, assumindo trabalho ministerial como pastor.