9 de Outubro, 2025

A Inevitabilidade Do Testemunho

A Inevitabilidade Do Testemunho

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

“pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos”  Atos 4:20

Pedro e João tinham sido usados por Deus para um feito extraordinário, a cura de um homem que estava aleijado a 40 anos. Todos conheciam esse homem porque o seu lugar de mendicância era em uma das portas do templo, por onde as pessoas continuamente passavam. Esse fato chegou ao conhecimento das autoridades religiosas da época e eles prontamente mandaram prender os Apóstolos porque a realização do milagre provocou uma importante oportunidade para anunciar o evangelho de Jesus, que foi aproveitado por Pedro para mais uma vez erguer a sua voz e pregar.

Perante os líderes religiosos, Pedro mais uma vez viu a oportunidade de anunciar Jesus e, cheio do Espírito Santo, falou com ousadia denunciando o pecado deles, mostrando quem é Jesus e destacando a salvação que somente Ele pode oferecer. Abismados diante do conhecimento e sabedoria apresentados pelos iletrados Apóstolos (na opinião deles não eram doutores da lei), ordenaram que não mais falassem e ensinassem a respeito de Jesus. Mediante essa ordem, Pedro e João disseram que não podiam deixar de falar do que tinham ouvido e visto. Por que era inevitável para eles testemunharem a respeito de Jesus? A resposta pode contemplar dois aspectos relacionados à missão e ao coração.

Inicialmente, é inevitável testemunharmos a respeito de Jesus devido à missão que nos foi dada. Cristo havia dado uma ordem de anunciar o evangelho (Mateus 28.19), e para isso capacitou os discípulos com o Espírito Santo (Atos 1.8). Logo, o testemunho é derivado de uma atitude de obediência. O seguidor de Jesus recebe uma missão e, com fé e submissão, se esforça para que cumpra o que lhe foi determinado.

 Por outro lado, a inevitabilidade de testemunharmos a respeito de Jesus acontece devido ao estado do nosso coração. Se inteiramente pertencer ao Senhor, o coração se torna uma contínua fonte de desejo de falar de Jesus. É algo que diz respeito à natureza espiritual do crente. Um desejo ardente brota de tal forma que se torna impossível não satisfazê-lo através da evangelização. O amor a Cristo e a paixão pelas almas perdidas movem a pessoa de tal forma que ela fica constantemente atenta para as oportunidades de evangelizar.              

Infelizmente, temos vivido tempos em que as distrações dessa vida têm roubado a lealdade dos crentes à missão dada por Jesus e tirado o ardor pela evangelização. A acomodação, o entretenimento religioso e a vontade de que os sonhos sejam realizados e as necessidades satisfeitas têm tirado o foco daquilo que Jesus quer e dos legítimos desejos de um coração convertido e entregue a Cristo. Que eu e você não deixemos de falar das coisas que temos visto e ouvido.

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.