7 de Maio, 2026
A Necessidade Do Discipulado
Artigo por Willes J. Silva
Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia
Na reflexão passada, vimos a impressionante conversão de um homem dedicado às artes mágicas, que, por isso, cativava a admiração do povo, sendo-lhe atribuído o “poder de Deus” (se ainda não leu, leia “O Impressionante Poder do Evangelho”). Porém, ao contrário do que muitos costumam acreditar, o trabalho de evangelização não se encerra com a conversão de uma pessoa. Simão ainda carregava algumas crenças e desejos típicos de sua vida anterior. Ele precisou ser ajudado a compreender o conteúdo da fé, com as suas diversas doutrinas, bem como o processo de santificação e crescimento próprios da nova vida em Cristo.
Em primeiro lugar, Simão pensava que poderia usar atalhos para realizar feitos importantes no reino de Deus. Para isso, chegou até a oferecer dinheiro. Queria fazer as mesmas coisas que os apóstolos faziam, mas de forma rápida, sem precisar passar por todo o processo e pagar o preço necessário. Não entendia que, para alcançar alguns propósitos de Deus na vida, tempo e investimento pessoal são indispensáveis. Essa tentação também é muito comum em nossos dias, resultando, muitas vezes, em preguiça espiritual e acomodação às coisas mais simples, que não exigem tanto esforço nem empenho.
Em segundo lugar, Simão precisava ser ajudado em seu processo de santificação. Ainda existiam muitos resquícios da velha vida que não deveriam mais estar presentes. Os apóstolos identificaram isso de forma bastante veemente: “Não existe porção nem parte para você neste ministério, porque o seu coração não é reto diante de Deus” (Atos 8.21). Na luta contra o pecado, o novo convertido precisa ser alertado e advertido a buscar uma vida reta diante de Deus. Algumas vezes poderá falhar, mas, com o passar do tempo, os antigos desejos devem ser substituídos pelos desejos corretos diante de Deus.
Em terceiro lugar, no processo de discipulado, é preciso identificar com clareza e precisão as áreas em que o novo convertido precisa crescer. Os apóstolos disseram: “Pois vejo que você está cheio de inveja e preso em sua maldade” (Atos 8.23). Geralmente, o novo convertido tem dificuldade em perceber algumas questões da própria vida que precisam ser transformadas. Ainda não possui conhecimento bíblico adequado nem relacionamento pessoal com Deus, em oração, suficientes para que essas áreas sensíveis sejam identificadas. Algumas práticas erradas são mais fáceis de enxergar do que outras, daí a necessidade do acompanhamento de um discipulador maduro, irrepreensível e honesto.
Não são poucos os crentes que ainda lutam com determinadas áreas da vida porque não tiveram o devido acompanhamento logo após a conversão. Alguns ainda sofrem os efeitos negativos de práticas erradas adquiridas quando eram novos convertidos. As ações dos discipuladores não apenas ajudam os novos crentes em suas lutas com questões difíceis, mas também podem prevenir escolhas erradas que tragam sérios danos às suas vidas.
Que as nossas igrejas despertem para a importância do acompanhamento discipulador e que os muitos “Simões” que possam existir entre nós não sejam deixados entregues aos seus pecados.