1 de Abril, 2025

A Questão Do Voto A Deus

A Questão Do Voto A Deus

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

“Quando um homem fizer um voto ao Senhor ou juramento para obrigar-se a alguma abstinência, não violará a sua palavra, mas fará segundo tudo o que prometeu” Números 30:2

A questão do voto ainda é um pouco problemática. Se Deus nos abençoa não porque haja qualquer merecimento em nós, por que tem alguns exemplos de votos na Bíblia?

O capítulo traz algumas considerações a respeito do voto como praticado pelos hebreus naquela época. Ele não tinha um caráter absoluto porque um pai ou um marido poderia anulá-lo. Precisava ser voluntário e tinha como propósito algum tipo de humilhação autoimposta (v.13). Com isso em mente, algumas considerações devem ser feitas.

Em primeiro lugar, a revelação de Deus ainda estava no início. Como ela se apresenta de forma progressiva em todo o relato bíblico, as pessoas ainda não conheciam muito sobre quem é Deus e os seus atributos. Ele foi se dando a conhecer aos poucos. Por isso, não se deve tomar tal prática como norma.

Muitos pensam que Deus sempre age da mesma forma. Argumentam dizendo que se Deus apareceu em sonhos, anjos vieram revelar a vontade dEle ou se milagres aconteceram tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, essas coisas necessariamente precisam acontecer em nossos dias.

Quando entendemos o aspecto progressivo da revelação compreendemos que as ações de Deus no passado estavam ligadas a "o que" ou "quanto" o seu povo o conhecia, bem como aos propósitos específicos relacionados à afirmação de Sua singularidade (é o único Deus), superioridade (acima de outros deuses) e divindade (Jesus é Deus). Com isso, embora reconhecendo a soberania de Deus, essas formas de Deus agir não serão costumeiras em nossos dias.
Em segundo lugar, não há qualquer recomendação dos apóstolos que lançaram as bases para a vida da igreja, para a realização de votos. Por sinal, a palavra que se tem nesse sentido é do próprio Cristo que desestimula a prática do juramento e, por conseguinte, do voto (Mt 5.33-37). O registro que se tem sobre o voto de Paulo em Atos 18.18, deve ser entendido sob dois aspectos. O primeiro é que ele é um judeu, vivendo dentro de uma teocracia judaica e que precisava agir como judeu. Em segundo lugar, o desejo de Paulo de se “fazer como Judeu para ganhar os judeus” o movia a ter algumas práticas judaicas que em si mesmo não eram pecaminosas, mas consideradas desnecessárias na nova aliança. O profundo censo evangelístico o levou agir dessa forma para poder falar aos judeus.

Por fim, o amor deve vir antes da obediência. Deus deseja ter um relacionamento de amor com os seus filhos. Nenhum filho humano precisa fazer algo para que mereça do seu pai humano o atendimento de alguma necessidade. Deus nos ama e nesse relacionamento de amor ele cuida dos seus. Em contrapartida, como resposta a tão grande amor, desejamos fazer tudo para agradá-lo, sem querer nada em troca. Como é bom ter esse tipo de relacionamento com Deus! Você não acha?

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.