15 de Janeiro, 2026
A Ressurreição E O Avanço do Evangelho
Artigo por Willes J. Silva
Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia
“mas, se vem de Deus, vocês não poderão destruí-los e correm o risco de estar lutando contra Deus. E os membros do Sinédrio concordaram com Gamaliel” (Atos 5.39)
Os líderes religiosos judeus estavam desesperados. Ameaçaram os Apóstolos, mas não adiantou. Já os tinham prendido porque anunciavam a Jesus dizendo que Ele havia ressuscitado, mas milagrosamente foram libertados por anjos; Já haviam dado um ultimato, porém eles declararam que era mais importante obedecer a Deus do que homens, indicando que não iriam parar. A “suprema corte” religiosa (o sinédrio) foi convocada para decidirem o que fazer. O desejo daqueles homens era de matar os Apóstolos do evangelho. No entanto, se levantou um homem que trouxe uma palavra sábia que acalmou em parte aqueles ânimos.
Gamaliel era um judeu que se guiava pela observação e prática das Escrituras. Por ser um estudioso das leis, também estava atento aos fatos da sua época para interpretá-los da melhor forma. Ele foi o professor do Apóstolo Paulo antes da sua conversão.
Gamaliel citou dois movimentos liderados por Teudas e Judas que acabaram naturalmente desaparecendo após a morte deles. Ele imaginava que iria acontecer a mesma coisa com o cristianismo já que, pelos pensamentos dos judeus, Jesus havia morrido e continuava morto. Isso demonstra que ele não havia participado da decisão de mandar os soldados que presenciaram a pedra do túmulo de Jesus se mover pela ação de um anjo, se calarem e disserem que o corpo de Jesus havia sido roubado. Ele desconhecia o fato de Jesus ter ressuscitado.
A ressurreição de Jesus encheu os discípulos de vigor e coragem. Por isso, estavam dispostos a enfrentar o sistema religioso da época, sofrerem e até serem mortos. Por que a ressurreição de Cristo trouxe tamanha disposição?
Primeiramente, por ser verdade. Não era uma fantasia mitológica ou uma alucinação coletiva. Jesus de fato estava vivo e isso foi comprovado pelas diversas vezes que apareceu aos discípulos em vários momentos. Ninguém estaria disposto a sofrer e morrer por uma mentira. Se fosse assim, ao longo do tempo, ela mesma iria se desfazer, conforme previsto por Gamaliel – o que não aconteceu.
Também, a ressurreição de Jesus confirmou uma poderosa realidade: Existe uma eternidade além dessa vida; nós também ressuscitaremos para desfrutá-la. Essa compreensão foi tão impactante que levou os discípulos a considerarem que mais importante do que preservar a vida, era perde-la por amor e lealdade a Cristo. Paulo chegou a afirmar: “Estou cercado pelos dois lados, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver” (Filipenses 1.23,24).
Quem sabe não tenhamos o mesmo vigor e coragem daqueles discípulos e de outros crentes que deram suas vidas em prol do evangelho, por não considerarmos a ressurreição de Cristo da mesma forma e com a mesma importância. Assim sendo, as coisas do mundo perderiam seu encanto e poderíamos viver esta vida com o propósito de glorificar ao Senhor e, se necessário, morrermos por amor a Ele.