29 de Abril, 2025
Compadecimento
Artigo por Willes J. Silva
Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia
“Então os irmãos de vocês irão à guerra, enquanto vocês ficam aqui?” Números 32:6
Não é raro termos os olhos ofuscados por algum tipo de sucesso ou necessidades atendidas e não enxergarmos as carências de outros, mesmo próximos a nós. A realidade de um mundo caído se mostra com mais força nas relações humanas. Principalmente quando está envolvida a disposição de ajudar alguém que se encontra em necessidade.
Neste texto vemos que os homens das tribos de Gade e Rúben se encantaram com os lindos e fartos pastos existentes naquela época a leste de rio Jordão. A terra de Canaã se estendia muito ainda após o rio, onde existiam 7 poderosas nações que ainda precisavam ser conquistadas. Os homens das tribos mencionadas se esqueceram que para seus irmãos ainda haveria uma árdua jornada pela frente. O velho líder Moisés chamou a atenção desses liderados para esse fato. Caindo em si, eles prometeram organizar tudo para deixar as mulheres, as crianças e os rebanhos seguros e acompanharem as outras tribos nas batalhas que se sucederiam até alcançarem a vitória.
Se não cuidarmos dos nossos corações, também seremos tomados por desejos egoístas a ponto de não nos preocuparmos com os outros. A busca por satisfação dos desejos individuais nos toma a ponto de fecharmos os olhos para as pessoas que apresentam diversos tipos de carências. Isso é contrário ao espírito do cristianismo.
Desde o início, os cristãos formaram grupos de pessoas que se ajudavam. A fé em Cristo as aproximava, proporcionando um convívio de comunhão e interesse pelo outro. Alguns chegaram a vender propriedades e entregaram os valores recebidos para que as diversas necessidades da comunidade fossem atendidas, como registrado em Atos 2.45: “Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”
É lógico que somente Deus tem os recursos adequados para atender as necessidades de todos. Se acharmos que podemos tal coisa, poderemos ser tomados pela frustração, desgaste excessivo e pensamentos obsessivos.
A primeira responsabilidade deve ser com aqueles que fazem parte do nosso círculo de convivência imediato, começando com a nossa família (1 Timóteo 5.8). Em seguida a família estendida, que é a comunidade de fé, a igreja (Tiago 2.14-17).
De fato, ninguém em sã consciência pode ficar plenamente satisfeito vendo a necessidade de alguma pessoa dentro da sua família ou da igreja. Ao contrário, fará todo o possível para deixar as coisas em ordem e buscar socorrer o necessitado de alguma forma. Quando o crente se compadece, a dor e a necessidade do outro é partilhada (1 Jo 3.17).
Essa preocupação faz parte das coisas que ocupam o seu coração? Pense nisso!