13 de Novembro, 2025
Comunhão
Artigo por Willes J. Silva
Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia
“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum” Atos 4:32
Há um maravilhoso hino composto a partir desse texto por Guilherme Kerr, cujo título é “Unidade e Diversidade”. Ele expressa bem o ideal da comunhão cristã e nos ajuda a compreendê-la melhor.
Essa comunhão não é produzida por sentimentos ou por afinidades comuns. Ela não é produzida artificialmente através de programações, e nem é algo de momento. Ela surge de uma fé comum.
O versículo começa dizendo “Da multidão dos que creram”. A relação entre os discípulos de Jesus começa e se sustenta na fé nEle. Jesus é o Autor e consumador da nossa fé (Hebreus 12.2). A proximidade e convivência dos crentes se dá pela fé numa única pessoa. Mais ainda, se alguém se relaciona com os crentes e faz questão de acompanhá-los em suas atividades, mas não nutre a mesma fé em Cristo, ela não está verdadeiramente em comunhão porque lhe falta a unidade que é gerada pela fé comum.
Não é difícil encontrarmos membros desanimados e sem prazer de estar nas atividades da igreja. Na maioria das vezes isso acontece porque a pessoa é somente isso... “membro da igreja”. A falta de uma fé salvadora legítima em Jesus faz com que ela não seja membro do corpo espiritual de Cristo, mas somente do rol de membros de uma igreja local. As alegrias espirituais do nascido de novo em Cristo não são desfrutadas e facilmente confundidas com as emoções produzidas pelo estímulo aos sentidos e emoções produzidas em algumas reuniões de culto.
Aquele que desfruta da verdadeira comunhão, não se acomoda nos primeiros passos da fé, mas busca aprofundá-la através do conhecimento da Palavra de Deus e da oração. Essas coisas são continuamente incentivadas quando a prática da comunhão acontece. Com o propósito de crescer junto com o irmão e o desejo de contribuir na edificação do outro, o real seguidor de Jesus procura os meios da graça para que isso aconteça: Estudo da Palavra, oração e serviço.
Há muita confusão entre a comunhão e a forma como ela pode se manifestar. O texto bíblico continua dizendo “Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum”. Mais à frente o texto bíblico vai dizer que “Não havia nenhum necessitado entre eles, porque os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes” (Atos 4.34). Naquele momento da história, quando alguém se convertida ao cristianismo sofria perseguições, podendo ser expulso do convívio familiar e perder trabalho e bens. Por isso as atitudes mencionadas se faziam necessárias. Essas práticas não eram a comunhão em si, mas a expressão dela numa comunidade de fé. Nos dias atuais, fazer estas coisas não significa necessariamente que alguém esteja em comunhão com o Corpo de Cristo; revela somente o seu espírito solidário. Tais manifestações são importantes e até necessárias dependendo do contexto, mas podem acontecer independentemente da fé em Cristo.
A comunhão não pode ser produzida por atividades sociais de confraternização, encontros e cafés, embora sejam importantes, mas ela vem da fé comum em Jesus e, a partir dela, pode-se gozar das alegrias espirituais e desfrutar integralmente de momentos como mencionados acima, de forma mais profunda e permanente.