Coragem Para Discipular
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9 de Julho, 2026

Coragem Para Discipular

Coragem Para Discipular

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

E Saulo ficou com eles em Jerusalém, entrando e saindo, pregando ousadamente em nome do Senhor” (Atos 9.28)

Discipulado não é para covardes! É preciso coragem para vencer os temores iniciais, as oposições do próprio coração e as inúmeras desculpas que surgem para não cumprir o compromisso assumido de fazer discípulos.

Neste trecho do livro de Atos, especialmente em Atos 9.26 e 27, encontramos os discípulos de Jesus temendo a aproximação de Paulo. É assustador pensar que, se esse temor não tivesse sido vencido, talvez não tivéssemos o maior expoente do cristianismo depois de Jesus exercendo um ministério tão impactante, escrevendo livros bíblicos fundamentais para a Igreja de Cristo e contribuindo de forma decisiva para a rápida expansão do evangelho.

É preciso coragem para discipular porque valorizamos muito o conforto. É preciso coragem para deixar o sofá, a televisão e o aconchego do lar depois de um dia de trabalho. Muitas vezes priorizamos o nosso bem-estar e passamos a rejeitar tudo aquilo que possa nos tirar dessa zona de conforto. Essas resistências, porém, são vencidas quando colocamos o Reino de Deus em primeiro lugar e passamos a experimentar a alegria de sermos usados por Ele. Ver vidas se entregando a Jesus, famílias sendo restauradas e fortalecidas, pessoas sendo conduzidas e supridas pelo poder de Deus é uma alegria incomparável. Diante desses resultados, qualquer preço a ser pago se torna pequeno. A alegria do céu passa também a encher o nosso coração:

Digo a vocês que, assim, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lucas 15.7)

Também é preciso coragem para discipular porque, muitas vezes, nos consideramos incapazes ou pequenos demais para cumprir o mandato de Cristo e ajudar outras pessoas a conhecerem quem Ele é. Pensamos que somos inexperientes ou que não conhecemos suficientemente a Palavra de Deus para ensinar alguém, especialmente o evangelho. Entretanto, basta refletirmos que um novo convertido já possui muito mais conhecimento do que um incrédulo que ainda não reconhece Jesus como Salvador. Por isso, tantos recém-convertidos testemunham com entusiasmo e, por meio desse testemunho, outras pessoas também chegam à fé em Cristo.

Além disso, todos aqueles que frequentam regularmente os cultos da igreja e participam de uma classe de EBD ou de um grupo em que a Palavra de Deus é ensinada com fidelidade já possuem uma considerável bagagem de conhecimento. Eles têm muito a compartilhar, começando pelo próprio testemunho: como eram antes de Cristo, como foram alcançados por Ele e como suas vidas foram transformadas. Não por acaso, além da narrativa de Lucas, Paulo relata sua conversão outras duas vezes no livro de Atos (capítulos 22 e 26). Isso demonstra que uma das maiores pregações de Paulo era contar aquilo que Cristo havia feito em sua própria vida.

Também é preciso coragem para discipular porque é necessário vencer a timidez. Ela pode se tornar uma barreira invisível que nos afasta das pessoas, principalmente daquelas que não fazem parte do nosso círculo de convivência. Não devemos confundir pessoas naturalmente reservadas com aquelas que evitam se aproximar dos outros por medo da opinião humana. Estas vivem dominadas pelo receio de serem ridicularizadas, desprezadas ou perderem seu prestígio. Nesse sentido, a timidez torna-se pecaminosa. A versão Almeida Revista e Corrigida traduz Apocalipse 21.8 da seguinte forma:

Mas, quanto aos tímidos (grifo nosso), e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte

Esse pecado torna-se ainda mais grave quando o medo nos impede de sermos instrumentos de Deus para conduzir uma pessoa perdida à salvação.

Barnabé, porém, não se acovardou. Ele tomou Paulo consigo, aproximou-se dele para ajudá-lo em sua nova caminhada e o apresentou aos apóstolos. Com essa verdadeira "adoção" como um filho na fé, Barnabé pôde discipulá-lo. A partir de então, Paulo passou a conviver com os discípulos, crescendo continuamente em sua fé e em seu ministério (Atos 9.28).

Que não coloquemos mais impedimentos para cumprir nossa missão de discipular outras pessoas. À medida que nos apropriamos da Palavra de Deus e caminhamos pela fé, no poder do Espírito Santo, cada uma dessas barreiras vai sendo derrubada

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, fez Mestrado, assumindo trabalho ministerial como pastor.