22 de Agosto, 2024
Culto: Tempo De Contrição
Artigo por Willes J. Silva
Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia
“O sacerdote Eleazar pegou os incensários de metal que aqueles homens que foram queimados tinham trazido, e os incensários foram transformados em lâminas para cobertura do altar, por memorial para os filhos de Israel...” Números 16:39,40a
Sempre que lemos a Bíblia, podemos nos perguntar: Por que isso aconteceu? Qual o propósito de Deus nessa situação?
Deus não faz nada sem propósito. Todas as suas ações visam a Sua glória e o bem-estar dos Seus filhos. Isso nos faz fugir da mentalidade de muitos de que devemos viver conforme o “acaso” nos levar. Pelo contrário. Ao quando sabemos que tudo está debaixo do controle divino, ficamos seguros e sem receio quanto ao que pode vir no futuro. Porém, esse conhecimento traz em si algum tipo de cobrança, pois não podemos desperdiçar tudo o que o Senhor nos dá para vivenciarmos, e também não podemos agir de forma contrária à sua vontade. As consequências virão, conforme mencionado no capítulo 16 de Números.
Pelo relato bíblico, 250 homens morreram por oferecer incenso ao Senhor de forma indevida, já que isso cabia aos sacerdotes. Porém, os incensários foram transformados em lâminas que foram usadas para cobrir o altar do sacrifício. Todas as vezes que alguém fosse prestar culto a Deus e olhasse para o altar, se lembraria do que aconteceu e isso provocaria uma profunda reflexão sobre o seu relacionamento com o Senhor.
Celebração de culto deve ser um tempo de reconhecimento de quem Deus é e faz, mas também um tempo de reconhecer quem somos e como estamos. O tempo de celebração nos aproxima mais do Criador; a Sua majestade e santidade nos maravilham, mas também nos confrontam. Essa foi a experiência de Isaias que ao ver a grandiosidade da santidade de Deus disse:
“Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Isaias 6.5).
É impossível ficar impassível diante do Senhor no momento de um culto verdadeiro. Com isso, a contrição se torna uma parte essencial na celebração cúltica. Esse era o ensino pretendido pelo sacerdote Eleazar quando usou o metal dos incensários usados de forma errada. A lembrança dos pecados daqueles homens iria tornar o judeu consciente do seu próprio pecado.
Se não fosse pela misericórdia de Deus todos seríamos consumidos pela ação da justiça divina. A misericórdia dEle é manifestada pela graça salvadora de Cristo. Por isso, é sempre tempo de confessar os pecados, pedindo o perdão de Deus. A lembrança do pecado se torna em bênção quando através dela o Pai manifesta o Seu perdão. Com os pecados perdoados, aí sim o culto é verdadeiramente recebido por Ele.