7 de Maio, 2024
Desejos
Artigo por Willes J. Silva
Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia
“Estava ainda a carne entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, quando se acendeu a ira do Senhor contra o povo, e o feriu com praga mui grande” Números 11:33
Algo extraordinário aconteceu. O povo reclamou com Moisés a falta de carne. Uma coisa impossível de atender se pensarmos que eram centenas de milhares de pessoas e estavam no deserto. Deus disse que lhe enviaria carne em abundância e fez isto.
Enquanto estavam ainda comendo, muitos foram mortos pelo Senhor. Por quê? A carne estava estragada? Havia algum tipo de parasita nela? Tiveram indigestão? Não! O Versículo 34 explica: “ali enterraram o povo que teve o desejo das comidas dos egípcios”. O que causou a morte das pessoas foi o desejo pecaminoso do coração que os fazia ter saudades de uma vida de escravidão no Egito.
Não é difícil nos perguntarmos vez ou outra o porquê que Deus permite que as pessoas continuem a cometer pecados e até se aperfeiçoem nessa prática. A razão está sendo revelada neste texto bem como em Romanos 1.24,28:
“ Por isso, Deus os entregou à impureza, pelos desejos do coração deles, para desonrarem o seu corpo entre si... E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a um modo de pensar reprovável, para praticarem coisas que não convêm”
Aquilo que toma os nossos corações revela como estamos diante de Deus. Para tantos, o ideal de santidade é algo estranho. Na realidade, devido a uma proposta atraente de contextualização, cada vez mais aqueles que dizem temer a Deus estão se parecendo com os que não o temem e nem professam a fé em Cristo. O nascido de novo que foi convertido pela obra de Cristo na cruz pelo poder do Espírito Santo, almeja a santidade. A nova vida significa uma mudança de mente e coração; sugere uma completa transformação. Logo, é incomum um convertido ser dominado pelos desejos do coração.
Apesar disso, é impossível impedir que alguns desejos pecaminosos de vez em quando ameaçem tomar morada nos nossos corações e tentem nos levar a práticas pecaminosas. O texto de hoje diz que Deus se irou quando a carne “estava ainda entre os seus dentes”, ou seja, já haviam passado da fase do desejo para a fase da prática.
Há uma distância entre o desejo e a prática. Para aqueles que buscam uma vida santa, essa distância vai se tornando cada vez maior. Com o tempo mecanismos de proteção espiritual vão sendo instalados a ponto de também ocorrer uma distância entre o que os olhos veem e o que o coração deseja . Nesse sentido, os desejos pecaminosos não mais conseguem penetrar as fortalezas do coração.
A Palavra do Senhor nos estimula a um autoexame constante. Com certeza, a celebração da Ceia do Senhor é um momento importante para esse exercício. Participar da Ceia sem “discernir o corpo de Cristo” é desprezar o que Ele fez na cruz do calvário. Muitos estão entre nós se fartando da mesa do Senhor, mas com o coração no que faziam antes de se converterem. As bênçãos que Deus pela sua graça lhes dá servem ainda mais para revelar um coração incrédulo que inevitavelmente conduz à morte espiritual. Como está o seu coração, sede dos desejos? O que você mais tem desejado? Isso evidencia a sua real condição espiritual.