27 de Fevereiro, 2026

Estevão E Cristo

Estevão E Cristo

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

Estêvão, cheio de graça e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” Atos 6:8

 

O supremo alvo da vida deve ser o de se parecer cada vez mais com Cristo. A Sua glória deve ser espelhada através de cada discípulo. As nossas ações, palavras e escolhas mais e mais precisam ser aquilo que Jesus faria, falaria e escolheria. É dessa forma que, através de nós, Ele se torna conhecido.

 

É certo que esse tipo de postura traz algumas consequências. Se Jesus foi perseguido e atacado, não será diferente para o que deseja se tornar parecido com Ele. Foi o que aconteceu com Estevão.

 

Estevão foi um dos discípulos escolhidos para cumprirem função diaconal. Como vimos em 6.5, do grupo dos 7 escolhidos, somente ele teve as qualificações relatadas: “... Então elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo...”. De imediato, duas qualidades importantes já são destacadas. Ele era “cheio de fé”, ou seja, possuía uma firme convicção das verdades encontradas nos ensinamentos de Cristo, e confiava sua vida inteiramente a Ele; e “cheio do Espírito Santo”, característica atribuída a Jesus e replicada em seus discípulos. Além destas, Estevão apresentou também outras qualidades de Jesus em sua vida:

 

A primeira encontramos em Atos 6.8 como transcrito acima, "fazia prodígios e grandes sinais". O Apóstolo Pedro, na sua pregação em Atos 2, logo após o derramamento do Espírito Santo, havia mencionado essas caracterísiticas de Jesus: “Israelitas, escutem o que vou dizer: Jesus, o Nazareno, homem aprovado por Deus diante de vocês com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou entre vocês por meio dele, como vocês mesmos sabem” (Atos 2.22). Em seguida, com o propósito testemunhar entre as nações, os próprios discípulos passaram também a fazer o mesmo: “Os apóstolos realizavam muitos sinais e maravilhas no meio do povo" (Atos 5.12). Com Estevão não foi diferente. Para atestar a sua intimidade com Deus, enchimento do Espírito Santo e veracidade do que pregava, seguiam-se "prodígios e grandes sinais", atos misericordiosos de Deus em prol das pessoas.

 

Em segundo lugar, tal qual Jesus, os ensinamentos de Estevão eram irresistíveis: "Mas eles não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava" (Atos 6.10). Certa vez ficaram maravilhados com o ensino de Jesus: “E ficavam maravilhados com o seu ensino, porque os ensinava como quem tem autoridade, não como os escribas" (Marcos 1.22). Em outra ocasião, não puderam esconder a admiração: "E admiravam-se da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade"  (Lucas 4.32). O mesmo acontecia com Estevão. Suas palavras eram cheias de sabedoria e autoridade outorgada pelo Espírito Santo, oriundas do próprio Cristo.

 

Em terceiro lugar, Da mesma forma que Jesus, Estevão também foi caluniado. O texto diz que "subornaram alguns homens para que dissessem: Ouvimos este homem proferir blasfêmias contra Moisés e contra Deus” (Atos 6.11). A realidade da vida de um discípulo que reflete a Cristo provoca imenso desconforto nas pessoas sem Cristo. Assim, elas logo procuram agir para destruir a fonte desse desconforto. O diabo usa tais pessoas para impedir a pregação do evangelho e o avanço da igreja no mundo, mas sempre fracassa.

 

Em quarto do lugar, assim como Jesus, Estevão foi perseguido e preso: “Atiçaram o povo, os anciãos e os escribas e, investindo contra Estêvão, o agarraram e levaram ao Sinédrio” (Atos 6.12). O Apóstolo Paulo registrou em uma de suas cartas que "todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Timóteo 3.12). O que fizeram com Cristo e com Estevão também acontece com o aquele que procura espelhar a Cristo em sua vida. O mundo odeia os seguidores de Jesus porque revelam a necessidade de mudança de vida das pessoas. O diabo e os seus demônios agem usando-as para tentar destruir a obra do Evangelho.

 

Quantas coisas podemos aprender com esse primeiro mártir do evangelho! Longe de provocar desânimo nos crentes, esse exemplo deve gerar maior desejo de uma vida digna que glorifique a Jesus através de um comportamento santo, palavras corretas e escolhas adequadas.

 

 

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.