4 de Novembro, 2026

Identidade Cristã

Identidade Cristã

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

"Em Antioquia, os discípulos foram, pela primeira vez, chamados de cristãos” (Atos 11.26b).

A palavra cristãos aparece apenas três vezes no Novo Testamento (Atos 11.26; 26.28; 1 Pedro 4.16). Na maioria das vezes, os seguidores de Cristo são chamados de discípulos (260 vezes). Esses dois termos definem bem as características dos crentes. Discípulo é aquele que se coloca aos pés do Mestre para receber dele preciosos ensinamentos para sua vida. Já o termo cristão refere-se à semelhança do crente com o seu Senhor. Seu significado é seguidor de Cristo, expressão que possivelmente foi utilizada inicialmente de forma zombeteira pelos habitantes de Antioquia, mas que acabou se tornando usual.

Interessante é que podemos encontrar, nos versículos imediatamente anteriores àquele em que os discípulos recebem essa designação pelo povo de Antioquia, algumas características próprias das pessoas verdadeiramente cristãs. A primeira delas está nos versículos 19 e 22:

“Os que foram dispersos a partir da perseguição que começou com a morte de Estêvão se espalharam até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a palavra a ninguém que não fosse judeu” (Atos 11.19).

“A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia” (Atos 11.22).

O seguidor de Cristo age como Ele, tendo como propósito a pregação do evangelho. Enquanto esteve entre nós, Jesus foi a vários lugares anunciando o evangelho do Reino. Da mesma forma, judeus e gentios foram alcançados pela pregação dos cristãos. A perseguição empreendida pelos judeus fez com que os discípulos de Jesus se espalhassem por diversos lugares, tornando possível que outros povos fossem alcançados, inclusive judeus que não moravam em Jerusalém. O seguidor de Cristo está continuamente preocupado com a conversão das pessoas à sua volta e procura ser um instrumento de Deus na propagação do evangelho de Jesus.

Outra característica que encontramos no versículo 22 é a preocupação com outros cristãos. Por diversas vezes, Jesus também demonstrou preocupação com seus discípulos. Ele os consolou em momentos de dificuldade (João 14.1), encorajou-os a permanecerem firmes (João 14.26; Mateus 24.13) e os preparou para o momento em que não estaria mais com eles (João 14.26). Esse mesmo tipo de atitude é encontrado nos cristãos que vivem efetivamente a comunhão da igreja e dirigem seus olhares para lugares distantes, demonstrando compaixão e cuidado com aqueles que sofrem, que estão em situação de necessidade ou que se encontram no início da caminhada cristã.

Uma terceira característica pode ser encontrada no versículo 23a:

“Quando ele chegou e viu a graça de Deus, ficou muito alegre” (Atos 11.23a).

Trata-se da alegria ao contemplar a ação do Senhor. Em Lucas 10.21, Jesus se alegrou ao ver a maneira como Deus usou seus discípulos. Também em João 15.11, Jesus desejou que seus discípulos tivessem a mesma alegria que Ele possuía, uma alegria que nasce da obediência aos mandamentos do Senhor.

Por fim, encontramos, nos versículos 23b e 26a, outras duas características: a exortação e o ensino.

“E exortava todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor” (Atos 11.23b).

“E, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. E, durante um ano inteiro, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão” (Atos 11.26a).

Muitas vezes, por meio do ensino, Jesus exortava seus discípulos. Exortar pode significar, além de ensinar, motivar, encorajar e persuadir alguém a seguir os ensinamentos de Deus, bem como corrigir, consolar ou repreender com base na Palavra. Jesus exortava acerca da verdadeira justiça, da prática de esmolas, da oração e do jejum, bem como das consequências de uma vida pecaminosa, entre tantos outros assuntos. Os cristãos também são instruídos a praticar a exortação mútua. Em 1 Tessalonicenses 5.11, por exemplo, lemos: “Pelo que exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis”. Portanto, a exortação e o ensino são características que identificam o crente com Cristo.

Uma palavra que talvez traduza uma necessidade dos crentes atuais é identidade. A Bíblia é clara ao afirmar que devemos ser semelhantes a Cristo. Essa é a nossa credencial, aquilo que somos e que devemos demonstrar. As escolhas e atitudes do crente revelam com clareza se essa característica está presente ou não. Aliás, se alguém se diz cristão, mas não se parece com Jesus, há uma incoerência nisso. De fato, se alguém não se parece com Cristo, logicamente não pode ser chamado de cristão.

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, fez Mestrado, assumindo trabalho ministerial como pastor.