18 de Junho, 2024

Louvor Evanescente

Louvor Evanescente

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

“Até quando sofrerei esta má congregação, que murmura contra mim” Números 14:27a

Congregação nada mais significa que um grupo de pessoas reunidas. Neste contexto, aquele grupo era formado por pessoas que Deus havia escolhido para serem o seu povo. Mas, mesmo tendo o privilégio de serem o povo de Deus e de terem sido alvo de tantos sinais e prodígios feitos pelo Senhor para que fossem libertos, ainda assim continuavam a murmurar.

A murmuração deixou de se tornar um ato isolado e se tornou sistêmica e endêmica. A incredulidade do povo se revelou quando as dificuldades começaram a surgir. Os brados de vitória levantados logo após serem libertos, deram lugar a contínuas reclamações e dúvidas quanto ao real poder de Deus de dar a eles a terra prometida.

Alguém já disse que um grande problema das experiências empolgantes com Deus é que quando a impressão emocional se dispersa, as expressões de lealdade e amor a Deus também vão se arrefecendo com o tempo. O pior é quando os sentimentos positivos passam a ser substituídos por dúvidas e reclamações.

A confiança em Deus não pode ser fundamentada por momentos esfuziantes e estonteantes, onde se diz que o mover do Espírito Santo está se fazendo sentir; mas sim naquilo que a Bíblia afirma a respeito do caráter de Deus, sua vontade e seus propósitos redentores para a humanidade. Sendo assim, as oscilações das circunstâncias ou de humor de alguém, não afetarão a sua fé.

O que aconteceu com os israelitas no deserto não é diferente em nossos dias. Quantas vezes os louvores e expressões de afetos a Deus expressados no domingo são substituídos por expressões de descontentamento, dúvida e ansiedade em relação ao futuro durante a semana.

As nossas congregações estão cada vez mais doentes emocionalmente, esperando encontrar nas reuniões de domingos algum tipo de lenitivo que vá amenizar um pouco as aflições da vida, mas não se esmeram em encontrar a cura para os males não orgânicos que estão nas Escrituras. É mais simples fazer uso eventual de um analgésico espiritual do que se lançar a um processo diário de tratamento que, pode demorar um pouco, mas trará resultados duradouros. É certo que muitos estão passando por tribulações, porém preferem reclamar de Deus do que usar os recursos da graça que Ele tem colocado à disposição de todos. Deus continua sendo bom e cuida dos seus filhos.

Não se deixe dominar pelas condições do “deserto” que você está enfrentando ou pelas dimensões dos desafios que tem pela frente. O mesmo Deus do passado está presente hoje e sempre continuará agindo para realizar a sua vontade em prol do seu povo, movido pela sua bondade e misericórdia.

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.