3 de Setembro, 2026
O Amor De Deus Não Tem Fronteiras
Artigo por Willes J. Silva
Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia
“Era piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, fazendo muitas esmolas ao povo e orando sempre a Deus” Atos 10.2
É impressionante e emocionante receber notícias do crescimento do evangelho em países imensamente resistentes ao cristianismo, que perseguem violentamente os crentes, chegando, em alguns casos, a levá-los à morte. Apesar da oposição do mundo e do diabo, nada pode deter o avanço do evangelho. Nesses lugares, muitos têm encontrado o amor de Cristo e buscado o Autor da Salvação, entregando suas vidas a Ele. Não deixa de ser impressionante, também, a maneira como essas pessoas têm sido alcançadas pela pregação do evangelho.
De muitas maneiras, o evangelho tem chegado a essas pessoas. Seja por meio de um contato casual, de literatura clandestina enviada de diversas formas ou, mais recentemente, por meio de relatos de pessoas que têm sonhado com Jesus.
Não sabemos como o homem citado acima, chamado Cornélio, abandonou o paganismo e abraçou a fé judaica. Mas ele é um claro exemplo da capacidade que o conhecimento de Deus tem de avançar além das fronteiras, sejam elas geográficas, raciais ou culturais. O exclusivismo judaico nunca esteve nos planos de Deus. Sua bondade e graça sempre estiveram disponíveis para todos os povos. Isso foi demonstrado de maneira ainda mais clara por meio do sacrifício de Jesus. Sua ação redentora é acessível a todo aquele que crê, sem qualquer tipo de acepção de pessoas. Sua ação é universal, mas, ao mesmo tempo, efetiva individualmente, devido à necessidade de fé e de uma entrega pessoal de vida.
O que sabemos de Cornélio é que ele fazia parte de um governo dominante. Tinha sob seu comando cerca de cem soldados romanos que controlavam a região, impedindo rebeliões e exercendo funções de policiamento. Entretanto, seu contato com os judeus possibilitou que conhecesse a Deus e passasse a buscá-lo, juntamente com toda a sua família. Isso transformou sua vida, levando-o a expressar sua nova fé de diversas maneiras.
Em primeiro lugar, a Bíblia nos diz que ele era piedoso e temente a Deus. Essas não são propriamente duas características distintas, porque não há como ser piedoso sem ser temente a Deus, e vice-versa. Piedade sem temor a Deus resulta em obras vazias, que não levam o homem para mais perto do Senhor. Temor sem piedade é sem sentido e desprovido de frutos visíveis. A piedade, que é uma busca fervorosa por Deus e um contínuo desejo de agradá-lo, é alimentada pelo temor a Deus, uma reverência amorosa pelo Santíssimo que transforma o coração e move a pessoa a obedecê-lo.
Em segundo lugar, sua piedade e seu temor o levavam a fazer muitas esmolas. Sua experiência com Deus despertou em Cornélio o desejo de compartilhar as bênçãos recebidas, repartindo-as com os necessitados. Sua fé era manifestada por meio do amor e do interesse pelo bem-estar dos outros. Diferentemente de muitas outras autoridades romanas, ele deixou de olhar para o povo judeu apenas como um povo conquistado e passou a enxergá-lo como pessoas que compartilhavam de sua fé e que deveriam ser alvo de sua ação graciosa.
Em terceiro lugar, ele orava sempre a Deus. Cornélio reconheceu a diferença entre Jeová e os deuses romanos e gregos, que eram vaidosos e pouco se importavam com as questões humanas. Passou a se relacionar com um Deus que se importa com seus filhos e se interessa por suas necessidades. Cornélio buscava continuamente estar na presença do Senhor, para que pudesse receber ajuda em sua fé e sabedoria para lidar com as questões que precisava resolver em razão de sua função no Império Romano.
O amor de Deus é sem fronteiras. Deus ama os homens e, por causa desse amor, Jesus veio ao mundo para salvá-los da condenação trazida pelos seus pecados. Todas as pessoas precisam conhecer esse amor, em todas as partes do mundo. Devemos pregar o evangelho a toda criatura, procurando vencer as barreiras que surgem e ultrapassar as fronteiras com a graça de Jesus.