13 de Maio, 2025

O Perigo Da Teopolítica

O Perigo Da Teopolítica

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

Ordene aos filhos de Israel e diga-lhes: Quando vocês entrarem em Canaã, esta será a terra que lhes cairá em herança: a terra de Canaã, segundo as suas fronteiras Números 34:2

Na primeira parte deste capítulo, Deus delimita as fronteiras das terras que seriam conquistadas. Podemos pensar em pelo menos três propósitos para isso:

De acordo com o contexto imediato que encontramos no capítulo anterior, o primeiro propósito era determinar os povos que seriam alvos do juízo divino. Com as suas práticas idólatras e comportamento degenerado, já tinham enchido completamente o cálice da ira de Deus e se tornaram alvos do seu castigo. Deus usaria os hebreus como instrumentos do seu juízo.

O segundo propósito era a de demarcar a herança dos hebreus. Mais de 500 anos antes Deus havia prometido a Abraão que a terra de Canaã seria dada aos seus descendentes. Essa promessa foi passada para Isaque e Jacó e permeou o coração dos israelitas até que se concretizou com Josué. Era uma espécie de inventário divino definindo claramente o que se tornaria posse deles, nada a mais nem a menos. O dono de todas as coisas é que estava dando a eles o direito de posse. Deus tem essa prerrogativa, pois “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl 24.1).

O terceiro propósito é um desdobramento do segundo. Ao definir as fronteiras, Deus estava também controlando a ânsia expansionista dos israelitas para que não tencionassem se tornar um império mundial como os assírios, babilônios, persas, romanos etc. O reino de Deus é espiritual, não político. As conquistas de territórios com a intenção de implantação do reino de Cristo estão distantes do coração do Novo Testamento que ensina que os pertencentes ao Reino Celeste são os nascidos de novo, que ouviram e atenderam ao convite para o arrependimento e fé em Jesus. 

A sede de poder e domínio é um grande problema. Isso tende a fazer com que as pessoas se esqueçam daquele que tem de fato todo o poder e domínio. O que está por trás de tal desejo é a vontade de ser como Deus, tomar o lugar dele e se tornar o diretor das aspirações e destinos das outras pessoas.

Precisamos tomar muito cuidado com as pregações “teopolíticas”, que tentam miscigenar teologia com política (no sentido de governo humano). Devido a essa mentalidade de domínio que guerras e apropriações indevidas de propriedades aconteceram, sem que Deus aprovasse tais atitudes.

Também é importante admitir as nossas limitações em relação às tomadas de decisões. Se Deus não dirigir os nossos passos, cedo ou tarde faremos escolhas que, embora a princípio não pareçam, com o tempo irão se mostrar pecaminosas e acabarão por nos destruir. Você tem estado submisso ao controle de Deus na sua vida?

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.