4 de Setembro, 2025

Olhe Para Nós!

Olhe Para Nós!

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

Pedro, fitando-o, juntamente com João, disse: Olhe para nós!” Atos 3:4

Este é um momento importante na história do cristianismo. Jesus já havia subido aos céus como mais de quinhentos irmãos puderam testemunhar (1 Coríntios 15.6). Cinquenta dias após a morte do Senhor, foi inaugurado o ministério contínuo do Espírito Santo entre os homens. Porém, era necessário que o cristianismo se firmasse como uma religião e recebesse a devida atenção das pessoas. O Senhor anteriormente já havia feito muitos milagres para revelar a sua glória como Deus que se encarnou e servir de sinal de que Deus estava mais uma vez manifestando uma ação maravilhosa de libertação. Neste momento da história, os milagres cumpririam o propósito de mostrar que Jesus continuava a agir através dos discípulos e que o evangelho era o poder de Deus manifestado aos homens.

O milagre em si é impressionante! Um homem coxo de nascença - nasceu com uma incapacidade ou enfermidade nos membros inferiores que a impedia de andar normalmente, resultando em mancar ou ser incapaz de andar sem apoio - que, devido à sua deficiência, estava impossibilitado para o trabalho e por isso mendigava. Ele rogou aos discípulos que lhe dessem uma esmola. Devido ao seu problema era proibido de entrar no templo e por isso ficava sentado à entrada, esperando a misericórdia dos que por ali transitavam. Apesar do milagre em si ter sido algo espantoso, um outro milagre começou a se desenrolar que não teve nada a ver com o aspecto físico do homem debilitado.

Ao se aproximarem Pedro e João da entrada do templo, o homem ali sentado para ver se conseguia algum recurso para atender as suas necessidades, interrompeu a caminhada dos discípulos solicitando uma esmola. Naquele contexto, era algo tremendamente vergonhoso pedir esmola. Aquele homem estendeu a sua mão aos discípulos, mas não ousava erguer a cabeça. O peso da humilhação tomava o seu coração. Olhar nos olhos das pessoas era algo que lhe trazia incômodo, porque se sentia julgado e condenado por muitos que o consideravam alguém amaldiçoado por Deus. A limitação física era difícil, mas a dor da alma era o que mais o entristecia.

Perante o pedido de esmola, Pedro e João disseram que tinham algo para ele melhor do que dinheiro. O que poderia ser? Deve ter pensado. Sofria desde que nasceu. Sentia fome e tinha outras necessidades que somente o dinheiro poderia satisfazer. Mas, os discípulos iniciaram o processo de cura interior antes mesmo da cura física. Eles olharam para ele e interpelaram: “Olhe para nós!”. Os discípulos enxergaram a dor da humilhação que abatia o aleijado e se compadeceram daquela situação. Antes mesmo de orarem em nome de Jesus para que a perna daquele homem se tornasse saudável, eles procuraram alcançar o coração dele com um ato de solidariedade e amor.

“Olhe para nós!” significava o desejo de restaurar a dignidade daquele homem. Algo que há muito tempo havia perdido. A ausência da dignidade aumentava significativamente o sofrimento do homem. Ela é capaz de fazer com que alguém se sinta num degrau inferior a outras pessoas. Com isso, pode se considerar de tal forma diferente que até pense não merecedor do favor de Deus. Porém, aqueles emissários de Jesus estavam ali para declarar que Jesus se importava com ele. Olhar para os discípulos significou um renovo para alma, tomada por um novo fôlego, a ponto de fazer com que ele atendesse à solicitação dos discípulos de se colocar em pé. A dignidade restabelecida foi seguida por um ato de fé.            

Deus se importa com as nossas necessidades físicas, mas também com as necessidades da alma. Quando Ele nos salva, faz isso por inteiro. Todo o ser do homem foi feito para a Sua glória, seja através dos aspectos exteriores, bem como dos interiores. Se algo não está bem em seu coração, saiba que as Escrituras são suficientes para curar todo mal não orgânico do homem. Que Deus te abençoe!

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.