30 de Outubro, 2026
Preconceito Religioso?
Artigo por Willes J. Silva
Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia
“Pois, se Deus deu a eles o mesmo dom que tinha dado a nós quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus?” (Atos 11.17)
Pedro foi chamado a se explicar sobre o que havia acontecido na casa de Cornélio. Ele, seus parentes e amigos, ao ouvirem a pregação de Pedro, receberam o Espírito Santo e foram batizados. Naquele momento da história cristã, isso era algo inconcebível para muitos. Como os não judeus poderiam ter a mesma experiência de salvação e receber o Espírito Santo?
Pedro argumentou sobre essa questão narrando, primeiramente, a visão que tivera de Deus (Atos 11.1-9). Por meio dela, Deus lhe ensinou que aquilo que Ele havia purificado não deveria ser considerado impuro. Com isso, estava se referindo à obra realizada na vida de Cornélio. Esse princípio da purificação do pecador, possibilitada pelo sangue de Jesus derramado na cruz, seria amplamente desenvolvido ao longo dos livros do Novo Testamento. O sangue de Cristo é capaz de purificar o mais indigno dos pecadores. O preconceito em relação à possibilidade de salvação de determinadas pessoas ou grupos não deve encontrar lugar no coração dos servos de Deus.
Em seguida, Pedro relatou o que muitos poderiam considerar uma coincidência, mas que, na realidade, era a providência de Deus agindo sobre os acontecimentos para que Sua vontade se cumprisse e pessoas fossem alcançadas pelo evangelho de Jesus (Atos 11.11). Essa ação tão visível e presente de Deus não poderia ser desprezada. A direção que Pedro deveria tomar, a partir da visão que tivera, estava sendo determinada por Deus, que conduzia os acontecimentos.
Para que não restassem dúvidas sobre o que Deus queria, o Espírito Santo também disse a Pedro que não hesitasse (Atos 11.12). Pedro não poderia ignorar as fortes evidências que Deus estava apresentando. Além disso, o Espírito Santo confirmou tudo o que Pedro havia percebido até então. Essa manifestação do Espírito, confirmando a vontade de Deus, também lhe trouxe a certeza de que a bênção do Senhor acompanhava a missão que estava recebendo.
Pedro também mencionou que a outra pessoa envolvida na questão, Cornélio, havia recebido uma visão e obedecido à ordem de Deus, mandando buscar Pedro (Atos 11.13,14). Isso reforçava a confirmação da orientação divina, pois tanto Pedro quanto Cornélio haviam recebido revelações relacionadas ao mesmo propósito. Aquilo que Deus se propôs a fazer foi revelado aos dois: dois lados de uma mesma ação divina. Com mais essa evidência, Pedro ficou ainda mais convencido de que o Senhor desejava manifestar Sua graça salvadora a um homem gentio, pertencente a um povo que os judeus consideravam distante de sua tradição religiosa.
O último e decisivo argumento foi a descida do Espírito Santo sobre aqueles homens enquanto Pedro ainda pregava (Atos 11.15). Diante dessa manifestação, Pedro finalmente se lembrou do que Jesus lhes havia dito: “João, na verdade, batizou com água, mas vocês serão batizados com o Espírito Santo” (Atos 11.16). Essa declaração remete à promessa de Jesus registrada em Atos 1.5, que retoma as palavras de João Batista em Mateus 3.11.
A resistência foi vencida por meio dessas fortes evidências apresentadas por Deus. Isso levou Pedro a compreender que os gentios também podiam ser salvos e que ele próprio havia sido chamado a anunciar o evangelho também a eles.
Quantas vezes desenvolvemos algum tipo de resistência quando pensamos na possibilidade de salvação de determinadas pessoas! No entanto, o amor de Deus se estende a todos os povos. Seu desejo é que todos sejam salvos, e a mensagem do evangelho deve ser anunciada a todos, para que, por meio do conhecimento de Cristo e da fé nele, possam receber a salvação.