16 de Julho, 2026
PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA
Artigo por Willes J. Silva
Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia
“Assim, a igreja tinha paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor; e, no consolo do Espírito Santo, crescia em número” Atos 9.31
Durante a minha jornada cristã, pude tomar conhecimento de diversos modelos e métodos propostos para o crescimento de uma igreja. Numa época em que frequentemente aparecem “igrejas da moda” que, de uma hora para outra, “bombam”, experimentando um crescimento astronômico em pouco tempo, não é difícil compreender por que logo surge o desejo de imitá-las.
É interessante notar que, num passado não muito distante, as igrejas batistas não se preocupavam em buscar modelos de crescimento. Sua atenção estava fortemente voltada para duas práticas: o culto e a evangelização. Os cultos eram marcados por uma intensa participação musical, com solistas, duetos, quartetos e grupos vocais. Cantavam-se hinos e cânticos variados. Foi também a época dos "cultos ao ar livre", normalmente realizados em praças, feitos com poucos recursos, mas com muito empenho e dedicação. Folhetos e Novos Testamentos eram distribuídos, e as pessoas eram continuamente convidadas a participar das programações da igreja.
Precisamos reconhecer que os tempos são outros. No entanto, o versículo em destaque apresenta quatro princípios encontrados nas igrejas do tempo em que Lucas escreveu o livro de Atos, os quais foram responsáveis pelo crescimento delas.
O primeiro princípio é a paz: “a igreja tinha paz por toda a Judeia”. Obviamente, essa paz pode ser tanto externa quanto interna. Porém, como a história do cristianismo revela, a igreja passou muito mais tempo sendo perseguida do que desfrutando de paz. Sofreu perseguições por parte dos romanos, de outros povos, de ideologias e até mesmo de grupos que também se diziam cristãos, mas que não se orientavam exclusivamente pelos ensinamentos bíblicos. No período narrado no livro de Atos não foi diferente. Com isso, concluímos que a paz mais necessária é a paz interna, vivida dentro das próprias congregações.
A paz da igreja é fundamental para que o foco permaneça em Jesus. Quando ela não existe, as mentes das pessoas envolvidas voltam-se para os próprios interesses e para o desejo de satisfazer suas aspirações pessoais. Quando Cristo perde a primazia, o seu louvor deixa de ocupar o lugar central, e a preocupação com a evangelização torna-se secundária, impedindo que a igreja cresça de maneira saudável.
O segundo princípio é a edificação: “edificando-se”. A edificação da igreja acontece de forma coletiva, durante os cultos e demais encontros, nos quais louvores são entoados e a Palavra de Deus é pregada e ensinada. Também acontece de maneira pessoal, quando os cristãos exercitam a comunhão por meio do ensino mútuo, do socorro, do aconselhamento e da oração uns pelos outros.
O terceiro princípio é o temor do Senhor: “no temor do Senhor”. O temor ao Senhor manifesta-se por meio do respeito amoroso que lhe é dedicado em razão de sua majestade e santidade, mas também por meio de uma obediência consciente. Ele deve ser o Senhor dos corações dos crentes, dirigindo suas vontades e suas escolhas.
O quarto princípio é a ação do Espírito Santo: “no consolo do Espírito Santo”. A ação do Espírito Santo fortalece os crentes, concede coragem para avançar no testemunho, promove a edificação da igreja, transforma corações e permanece ao lado de todos os que confessam o nome de Cristo. Sem a sua ação, qualquer esforço em favor do crescimento da igreja será apenas um empreendimento humano. Poderá até produzir um crescimento aparente, mas não será acompanhado do devido crescimento espiritual dos membros.
Não devemos ter medo de que a igreja cresça. De certa forma, isso é natural. Contudo, também não podemos buscar esse crescimento a qualquer custo, desprezando os princípios bíblicos que fazem com que ele aconteça de maneira saudável e agradável a Deus.