18 de Fevereiro, 2025

Punição Temperada Com Amor

Punição Temperada Com Amor

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

“Depois, o Senhor disse a Moisés: — Suba a este monte Abarim e veja a terra que dei aos filhos de Israel. E, depois de a ter visto, você também será reunido ao seu povo, assim como já aconteceu com o seu irmão Arão” Números 27:12,13

Sempre que passo por essa passagem me pergunto: teria Deus sido injusto com Moisés? Ele não serviu integralmente ao Senhor cumprindo os seus propósitos? Se nos apressamos na tentativa de interpretar o texto bíblico e cedemos a tentação de abraçar o primeiro pensamento que vem a nossa mente, corremos o risco de errar e ter uma visão distorcida de Deus e de Seus propósitos. Lendo com mais atenção o texto, de repente vamos nos aperceber que fixávamos mais os nossos olhos na perda terrena de Moisés do que naquilo que ele receberia dali para frente: “Ele estaria reunido com o seu povo”, e ouso acrescentar, por toda a eternidade. Aquilo que a princípio parecia ser um juízo desproporcional de Deus, ganha um novo sentido.

 Não é difícil perdermos as perspectivas das bênçãos futuras que teremos em Cristo em vista das alegrias terrenas e temporais. Devido a ensinamentos errados que entraram nos arraiais evangélicos, passamos a valorizar demasiadamente a vida na terra com tudo aquilo que os nossos sentidos físicos podem apreciar. Não que essas coisas sejam pecaminosas em si mesmas, pois afinal, a terra de Canaã fora criada por Deus com características que só realçam a perfeição do Criador. Era uma terra onde havia muita fartura, onde “manava leite e mel” – linguagem poética para exaltar o quanto aquela terra era abastada. O problema é quando colocamos a criação à frente do Criador; se preferimos mais desfrutar das delícias da criação ou gozar da presença de Deus para sempre.              

Algo melhor aguardava Moisés. Ele seria reunido com o seu povo. Como um crente fiel, Moisés sabia que estar com Deus era melhor do que qualquer coisa nesta vida. Além de gozar da presença do Senhor, iria desfrutar da comunhão eterna com o seu povo, sem a mancha e as deformidade que o pecado traz aos relacionamentos humanos. Essa comunhão seria perfeita. Alegria e paz indizíveis, num ambiente completamente isento de pecado. Com isso, a morte para Moisés embora tenha sido um ato punitivo de Deus, acabou sendo de grande lucro para ele. Quando Deus trata com o seu povo, até mesmo o seu castigo é revestido de cuidado e amor. Como é bom se relacionar com um Deus como esse!

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.