27 de Abril, 2024

Quando a Insatisfação é pecado

Quando a Insatisfação é pecado

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

“Não comereis um dia, nem dois dias, nem cinco dias, nem dez dias, nem vinte dias; Mas um mês inteiro, até vos sair pelas narinas, até que vos enfastieis dela; porquanto rejeitastes ao Senhor, que está no meio de vós, e chorastes diante dele, dizendo: Por que saímos do Egito?” Números 11:19,20

 Insatisfeitos com o Maná que Deus mandava do céu diariamente para alimentação, o povo começou a pedir carne. Isso acabou fazendo com que olhassem para trás com saudade do Egito. O tempo de sofrimento, os açoites, as extensas horas trabalhadas sob a vigilância de um feitor, o infanticídio para controle da população de escravos etc., foram esquecidos devido ao intenso desejo de comer carne.

 Deus não somente prometeu que iria dar-lhes carne, como também disse que iriam comer “até lhes sair pelas narinas”. Expressão forte para dizer que teriam além do necessário e que se entregariam à glutonaria a ponto de se enfastiarem. Isso ilustra muito bem o princípio que Paulo deixou registrado em Rm 1.24: “Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações”.

 Essa é uma característica marcante do pecado, ele é muito atraente de longe, mas de perto nunca satisfaz plenamente e a pessoa busca mais e mais para ter o seu desejo saciado. Mas isso não acontece.

 Nessa busca contínua e cíclica de satisfazer o desejo é que o vício se instala. Ele nada mais é do que um "apetite" nunca satisfeito que faz com que a pessoa o procure cada vez mais na ilusão de que isso de que a satisfação acontecerá.

 Ao mesmo tempo devido à imagem que criamos em nossa mente, o pecado escraviza. Visto que a realidade nunca é compatível com aquilo que foi idealizado. A busca de viver a ilusão, mesmo por um pouco, torna a pessoa escrava dos seus desejos. É importante entendermos que isso se aplica apenas a drogas lícitas ou ilícitas, mas também a tudo aquilo que promete nos tirar da realidade e rouba nosso tempo e preocupação. Pode ser comida, trabalho, atividade física ou lazer; até mesmo um relacionamento distorcido com Deus focado numa vida de fantasias espirituais onde todas as vontades e interesses são atendidos.

 Interessante que a Cruz coloca nossos pés no chão. Ela nos traz para a realidade e mostra a feiura e a crueldade do pecado. Através dela podemos enxergar melhor quem nós somos e os valores pecaminosos que dominam o mundo dos homens. Nos ensina a nos contentarmos com o que temos e aprendermos a viver com o básico - pois o comer, o beber e o vestir não irá nos faltar. Finalmente, a cruz aponta para a necessidade de renúncia, até mesmo do mundo idealizado e indica o caminho da cruz para a verdadeira felicidade em Cristo.              

Que o Senhor nos proteja de nós mesmos para que o nosso próprio coração não venha a ser a nossa fonte de destruição, e que coloquemos os nossos olhos na cruz, de onde jorra graça.

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.