26 de Setembro, 2024

Quando Um Líder É Contaminado

Quando Um Líder É Contaminado

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

“Moisés levantou a mão e feriu a rocha duas vezes com o seu bordão, e saíram muitas águas; e a congregação e os seus animais beberam”  Números 20:11

 Pela quantidade de vezes que aparece o povo reclamando, às vezes penso que o livro de Números deveria se chamar “livro das murmurações dos hebreus”. Fica evidente como o pecado do homem pode tomar-lhe a ponto de desconfiar de Deus a despeito de tantas coisas que o Senhor tem feito. Muitas vezes os feitos do Senhor em favor do Seu povo são esquecidos. Dessa forma, além da desconfiança de Deus, a ingratidão e descontentamento passam a predominar trazendo tristeza, insaciedade e, consequentemente, ansiedade e medo.

 A gratidão é uma atitude que nasce coração e é expressada através da voz. A sua prática continua acaba por gerar outro sentimento que também é estimulado pelos escritos bíblicos, o contentamento. Aquele que tem um espírito grato e contente tem os seus olhos abertos para perceber a ação de Deus em todas as coisas e circunstâncias; tem a sua esperança fortalecida e o coração guardado de qualquer ansiedade e medo que lhe possa roubar a alegria.

 Porém, o pricípio bíblico desta passagem de onde o versículo bíblico destacado está inserido serve de alerta para todos os crentes - e em particular para os que exercem liderança. É preciso ter muito cuidado para que a incredulidade do povo não tome também o nosso coração.

Como vimos, descrença no poder de Deus, ingratidão e descontentamento se tornaram elementos comumente presentes na nação israelita no deserto. De alguma forma essas manifestações de incredulidade afetaram Moisés. Quando o povo reclamou por falta de água, desejando terem morrido juntos com outros e questionaram o porquê de terem sido trazidos do Egito (Nm 20.3 a 5), Deus ordenou que Moisés falasse à Rocha e ela daria a tão preciosa água (Nm 20.8). Porém, em vez de falar à rocha, Moisés a golpeou duas vezes, duvidando da palavra e do poder de Deus. Foi contaminado pela incredulidade dos seus liderados. Quem sabe quis dar uma “forcinha” para Deus e se certificar que a água de fato sairia dela. No afã de socorrer as pessoas em suas necessidades, muitos líderes são atingidos pelos "respingos" do pecados de outros.

Todos os crentes em Cristo precisam lidar com pessoas que permitem o pecado em suas vidas, desejando-o ou sendo tolerantes com ele. Também no contexto eclesiásticos passamos por situação parecida, mas não igual, pois ali encontramos salvos que ainda lutam com o seus pecados e que estão em busca de uma santidade que agrade a Deus. Precisamos criar mecanismos de defesa para não sermos contaminados através da convivência - e até mesmo nos aconselhamentos bíblicos -, e assim não passarmos a desconfiar da sabedoria e bondade de Deus para conosco.

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.