6 de Agosto, 2026
Reconhecimento
Artigo por Willes J. Silva
Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia
“Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, nome este que, traduzido, é Dorcas. Ela era notável pelas boas obras e esmolas que fazia” Atos 9.36
O mundo atual tem dificuldade de reconhecer a importância e o valor das pessoas. Isso pode ser percebido na forma como pais, professores e outros profissionais têm sido tratados. Há uma crescente desconsideração pelos papéis que desempenham e pela relevância que possuem para a construção de uma sociedade saudável e bem-sucedida.
Sob a perspectiva da teologia, realmente seria difícil reconhecer que alguém seja merecedor de elogios. A Bíblia afirma que nascemos em pecado (Salmo 51.5), que não há um justo sequer (Romanos 3.10) e que todas as nossas boas obras são como "trapos de imundícia" diante de Deus (Isaías 64.6). No entanto, o próprio Deus prometeu galardões aos crentes fiéis e obedientes. Isso demonstra que atitudes corretas podem, sim, ser reconhecidas e elogiadas. O apóstolo Paulo, por exemplo, reconheceu a utilidade de Marcos, pedindo que ele fosse levado até sua presença (2 Timóteo 4.11). Além disso, no capítulo final da Carta aos Romanos, Paulo faz diversos elogios a irmãos e irmãs daquela igreja.
Dorcas era exatamente esse tipo de pessoa digna de reconhecimento. O relato de Atos 9.36-43 apresenta algumas das razões para isso e mostra as consequências que esse reconhecimento produziu.
Dorcas era amada por causa de suas ações altruístas, realizadas sem esperar qualquer recompensa. Ela se destacava "pelas boas obras e esmolas que fazia" (Atos 9.36). Seu coração generoso a impulsionava a socorrer os necessitados, buscando maneiras práticas de atender às suas necessidades.
Entretanto, coisas ruins também acontecem a pessoas boas. Dorcas foi acometida por uma grave enfermidade e morreu (Atos 9.37). O cuidado dispensado ao seu corpo foi motivado pelo amor que todos sentiam por ela. Lavaram seu corpo e o colocaram em um quarto no andar superior da casa (Atos 9.37).
Outra demonstração da importância de Dorcas foi a iniciativa de alguns discípulos em enviar mensageiros para chamar Pedro (Atos 9.38). Não podemos afirmar com certeza qual era a motivação deles. Talvez desejassem apenas o consolo da presença do apóstolo. Contudo, não é difícil imaginar que também alimentassem a esperança de que Deus realizasse um milagre e trouxesse Dorcas de volta à vida. Uma pessoa amada sempre terá alguém disposto a interceder por ela.
Também não faltaram testemunhos sobre tudo o que Dorcas havia feito em favor dos necessitados (Atos 9.39). Sua bondade não se limitava a boas intenções; ela se traduzia em ações concretas. Por meio de seu talento como costureira, atendeu às necessidades de muitas viúvas carentes de sua cidade.
No entanto, a maior obra da vida de Dorcas não foi realizada por ela, mas por Deus através dela. Foi por meio de sua vida, de sua morte e de sua ressurreição que o poder de Deus se tornou conhecido e o evangelho alcançou muitas pessoas. Atos 9.42 declara: "Isto se tornou conhecido em toda a cidade de Jope, e muitos creram no Senhor". Deus utilizou a morte e a ressurreição de Dorcas para revelar o poder do evangelho de Jesus, que é capaz de dar vida e restaurar pessoas.
Como é de conhecimento comum entre os cristãos, não somos salvos pelas obras. Entretanto, as obras evidenciam se uma pessoa realmente experimentou a transformação da conversão. Que o Senhor transforme o nosso coração para que cultivemos desejos bondosos e manifestemos a graça de Jesus às muitas pessoas necessitadas que estão ao nosso redor.