27 de Fevereiro, 2025

Sacrifício Vivo

Sacrifício Vivo

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

“É holocausto contínuo que foi instituído no monte Sinai, de aroma agradável, oferta queimada ao Senhor” Números 28:6

O holocausto era um sacrifício em que um animal era inteiramente queimado. Não ficava nem uma parte de fora. Durante toda a noite era queimado e as suas cinzas descartadas pelo sacerdote ao amanhecer. Além disso, esse tipo de sacrifício deveria ser contínuo. Todo o dia de manhã e de tarde ele aconteceria.

Já sabemos que o sacrifício do Antigo Testamento era uma “sombra” do que havia de vir, o próprio Cristo que foi sacrificado em nosso lugar. Recentemente recebi de um irmão a seguinte frase que faz uma perfeita ligação entre o Antigo e o Novo Testamento: “o Antigo Testamento é DEUS PREPARANDO A MESA PARA SERVIR O CORDEIRO”. Ela resume bem a teologia cristocêntrica de ambas as partes da Bíblia. João Batista fez, ao ver Cristo, uma descrição e ao mesmo tempo profecia: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1.29). O holocausto também ensina a nós hoje como deve ser a entrega da vida de um cristão.

Em primeiro lugar, a entrega deve ser total. Paulo diz em Romanos 12.1 que devemos “entregar os nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. É claro que ele não está defendendo qualquer tipo de autoflagelação ou morte literal. É entrega do corpo, da mente e do coração. Ela precisa ser integral, por inteiro, nada sendo deixado de fora. Deus não aceita nenhum outro tipo de sacrifício se não for por inteiro. O Senhor não suporta comportamento dúbio, onde num dado momento a pessoa demonstra um interesse profundo por uma vida piedosa e em outro flerta com o pecado. Certa vez profeta Elias exortou Israel sobre esse tipo de atitude que deveriam ter em relação a Deus:

Até quando vocês ficarão pulando de um lado para outro? Se o Senhor é Deus, sigam-no; se é Baal, sigam-no. Porém o povo não disse uma só palavra” 1 Reis 18.21.

O Senhor Jesus também disse:

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou irá odiar um e amar o outro, ou irá se dedicar a um e desprezar o outro” Mateus 6.24a.

                Antes havia dito:

“Porque, onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração” Mateus 6.21.

Em Segundo lugar, o sacrifício precisa ser contínuo. Não é uma questão meramente emocional, mas uma decisão racional que precisa ser renovada todo dia. O crente não pode ser mais santo no domingo do que na segunda-feira. A cada dia precisa decidir renovar a sua entrega total ao Senhor. As oscilações emocionais ou de fé não podem ser determinantes para que uma busca por santidade e dedicação a Deus sejam esquecidas, mesmo que temporariamente. Muitas vezes é necessário que a mente diga ao coração que não será aquilo que ele deseja que vai prevalecer, mas a decisão racional (“culto racional”) que foi feita anteriormente. A Palavra de Deus recebida e aceita deve atuar tanto na razão quanto na emoção, porém nem sempre “sentimos” o que devemos fazer. A entrega total ao Senhor nos ajuda a tomar a decisão correta.                

Que cumpramos o propósito das nossas vidas que é a de glorificar a Deus em todo tempo através de uma entrega ser reservas e constante.

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.