26 de Dezembro, 2025

Sinais E Prodígios

Sinais E Prodígios

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E todos costumavam se reunir, de comum acordo, no Pórtico de Salomão” Atos 5.12

Como é maravilhoso ver o poder de Deus agindo nas nossas ou nas vidas de pessoas próximas a nós! Além de nos dar alegria, faz-nos sentir a presença do Deus poderoso; passamos a viver uma atmosfera inigualável de espiritualidade. Mas, e quando isso não acontece? E quando os sinais e prodígios do Senhor não se fazem tão presentes ou não são tão evidentes?

Nenhum crente verdadeiro pode afirmar que não crê em milagres. A sua salvação já é um milagre extraordinário. Mas aqueles relacionados à vida cotidiana envolvendo saúde, finanças, trabalho e relacionamentos, não acontecem de forma tão clara quanto no período apostólico. O que podemos aprender sobre isso?

Em primeiro lugar, é preciso estarmos cientes a respeito dos propósitos divinos para os milagres. Como o próprio versículo apresenta, eles serviam como sinais e prodígios. Esses eram atos maravilhosos do Senhor que confirmavam quem era de fato o agente de tais feitos - Deus -, e confirmavam a mensagem anunciada pelos Apóstolos. Tais coisas aconteceram na libertação do povo hebreu da escravidão egípcia (Êxodo 7-12); também com Abrão quando Deus confirmou a sua promessa (Gênesis 15, por exemplo); Com os profetas Elias e Eliseu para que as mensagens fossem ouvidas e recebidas nos corações (1 Reis 17-19, por exemplo); e com Jesus, como encontramos nos evangelhos.

Em segundo lugar, a realização de um milagre ou a ausência dele serve para avaliar a nossa fé. Se ela é firme e vibrante a ponto de crer, esperar e ver os milagres do Senhor ou se ela se torna fraca e vacilante devido à ausência deles. A postura do crente perante essas situações denuncia o estado espiritual do indivíduo. A fé verdadeira é perseverante se a bênção esperada vier ou não.

Em terceiro lugar, a realização dos milagres pode pode ser usado por Deus como meio de mostrar o estado do nosso coração. O que de fato esperamos de Deus? O nosso alvo é somente ter de Deus algum tipo de bênção ou prosperidade, ou se o que mais valorizamos é o que Ele fez por nós enviando o seu Filho e a comunhão que produz um relacionamento próximo com Ele?

Normalmente não se vê tantos milagres como se gostaria na caminhada da fé, por isso o centro da vida cristã não deve estar baseado nessas coisas. No livro de Atos, os fiéis valorizavam as pregações cristocêntricas, as orações e a comunhão. Conforme o cristianismo foi se consolidando nas diversas partes do mundo, os sinais e prodígios foram diminuindo. Eventualmente aconteciam eventos sobrenaturais da parte de Deus, mais ainda com o propósito de tornar o evangelho conhecido e confirmar a pregação dos crentes.

A fé sadia não precisa de acontecimentos extraordinários para ser firmar. Em 2 Coríntios 5.7 Paulo afirma: “Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos”. Se alguém necessita de experiências milagrosas para o sustento da sua fé e manter sua confiança em Deus, não está de acordo com o que Paulo nos ensina. As grandes bênçãos espirituais que almejamos que estão por vir na eternidade, não são visíveis e experimentadas na sua inteireza aqui na terra. Com isso, o que podemos fazer é aguardar com fé que aquilo que ainda não vemos aconteça.

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.