31 de Março, 2026

Últimas Palavras

Últimas Palavras

Artigo por Willes J. Silva

Pastor batista, formado em Música Sacra e Teologia

Então, ajoelhando-se, gritou bem alto: Senhor, não os condenes por causa deste pecado! E, depois que ele disse isso, morreu”  Atos 7.60

 Não há como não se impressionar com a vida de Estevão! Uma pequena história registrada na Bíblia, mas de grande importância. Sua vida e sua morte trouxeram muitas instruções sobre o ideal da vida cristã. Foi um homem amplamente usado por Deus e, até mesmo nos momentos finais de sua existência terrena, glorificou a Deus por meio de suas palavras.

O que levou Estevão a ter uma vida tão significativa? Desde cedo, ele se caracterizava por sua fé. Em Atos 6.5 encontramos que era um “homem cheio de fé”. Isso significa que a fé que possuía era visível e vibrante. Apesar das circunstâncias, olhava para o futuro com otimismo, fundamentado nas promessas de Jesus. Uma fé que o sustentou nos últimos momentos de sua vida, mesmo diante da morte.

Outra característica que possuía era ser reconhecido como um homem “cheio do Espírito Santo”. Isso significa que as virtudes oriundas do fruto do Espírito — amor, alegria, paz, longanimidade (paciência), benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22-23) — eram percebidas em sua vida. Além disso, “andava no Espírito” (Gálatas 5.16), ocupando-se mais com as coisas do Espírito do que com os desejos da carne.

Estevão também conhecia a Palavra de Deus e o Deus da Palavra. Por meio de seu discurso, registrado em Atos 7, revela-se que conhecia as Escrituras a ponto de aplicá-las ao momento histórico em que estava vivendo. A compreensão dos textos bíblicos consubstanciava sua fé, dando-lhe coragem e ousadia para confrontar seus acusadores. Mesmo em seus últimos momentos, proclamou a Cristo e deu um forte testemunho de sua fé, a ponto de influenciar um jovem que acompanhava tudo de perto e que, mais tarde, se tornou uma das maiores figuras do cristianismo, depois de Cristo: Paulo.

Finalmente, Estevão anteviu a realidade celestial ainda em vida, antes de dar seu último suspiro. O fato de estar cheio do Espírito Santo não o livrou da morte, mas lhe revelou que o Senhor o aguardava — não sentado, como é próprio dos reis, mas em pé, à espera de um filho querido e de um amigo muito próximo.

Quantos homens, em seus momentos finais, declararam suas angústias, frustrações e o terrível sentimento de perdição que os dominava. Mas Estevão estava tão em paz com Deus que suas últimas palavras foram uma oração para que o Senhor perdoasse seus algozes. A compreensão do perdão que recebera de Deus era tão profunda que suas últimas palavras expressaram o desejo de que seus inimigos também alcançassem esse mesmo perdão.

Que sejamos estimulados a ter uma vida assim: que glorifique a Jesus e resplandeça o perdão de Deus aos homens.

Willes J. Silva é pastor da Igreja Batista em Nova Suíça (IBENS), em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Trabalhou por muitos anos como professor de matemática e ciências. Inicialmente começou seu trabalho em igrejas batistas como Ministro de Música. Posteriormente se formou em Teologia, assumindo trabalho ministerial como pastor.